Eu me percebia infinita — até a finitude se tornar concreta: a polaridade mais profunda que já vivi

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Eu me percebia infinita — até a finitude se tornar concreta: a polaridade mais profunda que já vivi

Eu me percebia infinita — até a finitude se tornar concreta: a polaridade mais profunda que já vivi

Sabe qual é, para mim, a maior dificuldade de viver o pós-câncer — este tratamento para evitar a metástase? 

É entrar em contato com a finitude. 

É saber, de forma muito concreta, que um dia a vida termina. 

Até os 60 anos, essa consciência não existia em mim.
Eu me percebia como alguém infinita. 

E, quando essa percepção muda, algo se desloca profundamente.
Surge uma pergunta silenciosa:
como me motivar a viver todos os dias sabendo que isso vai acabar? 

E foi justamente aí que algo também se transformou. 

Passei a olhar para a minha trajetória com muita gratidão.
Para os desafios, para tudo o que construí — inclusive a forma como aprendi a me posicionar no mundo. 

Durante muitos anos, na vida corporativa, me apoiei fortemente em atributos associados ao masculino.
Fui educada para ser quem quisesse — e isso me deu força, direção e capacidade de realização. 

Mas, ao longo do tempo, percebi que algo ficava de fora. 

Precisei sair para resgatar o feminino — para ampliar minha capacidade de escuta, de conexão e de mobilizar pessoas a partir de um sentido compartilhado. 

Aprender a sustentar esse “entre” — entre feminino e masculino — transformou a minha forma de atuar, de influenciar e de construir em conjunto. 

E, agora, vivendo o pós-câncer — ainda em tratamento para evitar a metástase — esse aprendizado ganha um novo significado. 

Porque é justamente essa integração que me sustenta. 

Posso reconhecer minha vulnerabilidade — e, ao mesmo tempo, acessar minha capacidade de agir, decidir e seguir com clareza no que precisa ser feito. 

Sustentar a vulnerabilidade e a ação.
Os processos e os resultados.
A vida e a finitude. 

Minha vida é rica.
E, ao reconhecer isso, percebo também que ainda tenho muito a fazer. 

Isso me move. 

Eu acredito que valho a pena.
E que a minha contribuição importa. 

Viver essa tensão entre vida e finitude
é, talvez, o exercício mais profundo de polaridade que já experimentei. 

Ao longo desse processo, encontrei também uma forma de elaborar essa experiência em voz alta. 

Escrevi e gravei alguns episódios de podcast — no momento mais intenso do diagnóstico, e também depois. 

Não como respostas prontas, mas como tentativas de compreender os impactos dos tabus na vivência do câncer — e do machismo estrutural na autoestima das mulheres. 

Talvez porque algumas experiências só façam sentido quando são compartilhadas. 

Para que outras pessoas possam, quem sabe, fazer um caminho… um pouco mais consciente. 

Para quem quiser aprofundar essa reflexão, compartilho aqui alguns textos desse processo: 

Vamos seguir essa conversa?

Se viver é também sustentar essa tensão entre vida e finitude, como temos escolhido ocupar o tempo que temos? 

O que ainda faz sentido integrar, construir ou deixar ir? 

Porque aquilo que não é vivido com consciência… também passa. 

Se fizer sentido para você, seguimos essa reflexão em conjunto.
Você pode comentar por aqui — ou, se preferir, me escrever por mensagem ou WhatsApp. 

Sobre Vera Regina Meinhard

Vera Regina Meinhard atua no desenvolvimento de cultura organizacional e liderança, com foco na integração dos atributos do feminino e do masculino como caminho para a construção de ambientes mais saudáveis, sustentáveis e eficazes. 

Com mais de 25 anos de experiência como executiva internacional no Groupe Renault (França) e mais de uma década atuando como consultora em gestão de cultura organizacional, sua trajetória combina prática organizacional profunda com desenvolvimento humano. 

Seu trabalho parte de um ponto central: culturas que desvalorizam as relações comprometem não apenas as pessoas, mas também os resultados. 

Por isso, apoia organizações e lideranças na construção de modelos que integrem desempenho e relações humanas como competências complementares — ampliando a forma como entendemos liderança, sucesso organizacional e igualdade de gênero. 

Fundadora da Meinhard Connecting Voices, desenvolve projetos, palestras, mentorias e programas voltados à gestão de cultura organizacional, com foco na criação de ambientes que sustentem a qualidade das relações — indo além da inserção de mulheres e promovendo uma cultura que integre diferentes competências humanas de forma equilibrada. 

É autora do livro Vamos voar juntas? e de estudos sobre os desafios sistêmicos dos vieses inconscientes de gênero nas organizações. 

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