Maternidade e carreira: o impacto dos vieses inconscientes no trabalho nas decisões organizacionais
Eu amo a maternidade — e é justamente por isso que não aceito que ela seja tratada como limite. O que me leva a questionar um dos grandes paradoxos do machismo estrutural: A maternidade, ao mesmo tempo em que exalta a mulher como base da família — forte, essencial, insubstituível
Eu me percebia infinita — até a finitude se tornar concreta: a polaridade mais profunda que já vivi
Sabe qual é, para mim, a maior dificuldade de viver o pós-câncer — este tratamento para evitar a metástase? É entrar em contato com a finitude. É saber, de forma muito concreta, que um dia a vida termina. Até os 60 anos, essa consciência não existia em mim. Eu me percebia como alguém infinita. E, quando essa percepção muda, algo se desloca profundamente. Surge uma pergunta silenciosa: como me motivar a viver todos os dias sabendo que isso vai acabar? E foi justamente aí que algo também se transformou. Passei a olhar para a minha trajetória com muita gratidão. Para os desafios, para tudo o que construí — inclusive a forma como aprendi a me posicionar no mundo. Durante muitos anos, na vida corporativa, me apoiei fortemente em atributos associados ao masculino. Fui educada para ser
O cuidado é visto como essencial — então por que ainda é percebido como fragilidade?
Se o cuidado é reconhecido como uma competência essencial na liderança humana, por que ele ainda é associado à fraqueza dentro das organizações? Essa não é uma contradição teórica. É um padrão cultural que seguimos reproduzindo — muitas vezes sem perceber. O que