Eu me percebia infinita — até a finitude se tornar concreta: a polaridade mais profunda que já vivi
Sabe qual é, para mim, a maior dificuldade de viver o pós-câncer — este tratamento para evitar a metástase? É entrar em contato com a finitude. É saber, de forma muito concreta, que um dia a vida termina. Até os 60 anos, essa consciência não existia em mim. Eu me percebia como alguém infinita. E, quando essa percepção muda, algo se desloca profundamente. Surge uma pergunta silenciosa: como me motivar a viver todos os dias sabendo que isso vai acabar? E foi justamente aí que algo também se transformou. Passei a olhar para a minha trajetória com muita gratidão. Para os desafios, para tudo o que construí — inclusive a forma como aprendi a me posicionar no mundo. Durante muitos anos, na vida corporativa, me apoiei fortemente em atributos associados ao masculino. Fui educada para ser