A dança entre Tradição e Inovação: Como liderar entre polos?

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A dança entre Tradição e Inovação: Como liderar entre polos?

A dança entre Tradição e Inovação: Como liderar entre polos?

Os dilemas que separam e integram as organizações

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As reflexões deste texto foram inspiradas pelas falas de Antonio Werneck, Roberto Mesquita, Roberto Funari e João Carlos Brega durante o Fórum Alta Gestão 2025 da FGV, realizado em 14 de novembro — cada um trazendo uma lente própria sobre a dança entre tradição, inovação e liderança.

Num cenário marcado por polarizações, o Fórum trouxe um sopro de equilíbrio. As falas se conectaram com naturalidade, e a mediação do Professor Gilberto Sarfati ampliou a profundidade do debate com inteligência e sutileza.

A dança entre Tradição e Inovação: Como liderar entre polos?

Em cada intervenção, senti a intenção clara de valorizar essa coreografia entre opostos — um movimento essencial para navegar a complexidade com mais fluidez e eficácia.

Ainda assim, faltou um elemento essencial: nenhuma mulher no painel. Um silêncio que pesa, sobretudo quando o tema é justamente reinventar caminhos.

A arte de liderar entre polos: quando tradição e inovação exigem coragem ética

O conceito de destruição criativa, formulado por Joseph Schumpeter nos anos 1940 (entenda aqui), voltou ao centro das discussões — agora com o selo do Prêmio Nobel de Economia (site oficial). A honraria concedida a Philippe Aghion, Peter Howitt e Joel Mokyr reconhece quem deu base teórica e empírica à intuição brilhante de Schumpeter: o progresso nasce da transformação. Cada inovação destrói um modelo antigo, abrindo espaço para o novo florescer.

E foi justamente sobre esse equilíbrio entre o que se rompe e o que se renova que ouvi algo que ficou ecoando em mim. Roberto Mesquita, do Estadão, trouxe uma imagem poderosa: a das marinhas e dos piratas.

A marinha representa o mundo tradicional — grandes estruturas, processos estabelecidos, a força que mantém o rumo.

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Os piratas simbolizam a nova economia — inquieta, desafiadora, experimental, criativa.

Ele lembrou que até a Marinha Inglesa precisou, em certo momento histórico, “lançar seus próprios piratas” para explorar novas rotas e compreender o que nascia além de seu controle. Um gesto ousado de quem percebeu que, para continuar existindo, precisava se abrir ao novo.

E aqui vale um ponto essencial: quando falamos de “piratas”, não se trata de glorificar transgressões, e sim a ousadia ética — aquela que desafia o estabelecido com propósito, consciência e responsabilidade.

Porque inovação sem ética e sem sabedoria não é revolução. É ruína.

Imaginem uma organização tradicional precisando investir em um negócio novo que vai canibalizar seu produto atual. Paradoxalmente, essa “ameaça” é o que a preserva: dançar com a destruição criativa, em vez de ser destruída por ela.

Essa metáfora me fez pensar no quanto precisamos cultivar o E: a ousadia de explorar o novo e a sabedoria de sustentar o que funciona.

É na convivência entre marinha e piratas — entre o que preserva e o que inova — que as organizações realmente evoluem, sem precisar morrer para renascer.

Werneck lembrou que o tempo de vida das empresas está diminuindo.

Para permanecer no mercado, é preciso evoluir por dentro.

E Mesquita completou: liderança ambidestra é essencial para conviver com o dilema marinha–pirata.

Como disse Brega: o curto prazo de hoje é o futuro de ontem.

É preciso excelência no presente com execução impecável e foresight — visão estratégica capaz de antecipar cenários sem cair em adivinhações.

Entre velocidade, medo de errar e decisões de liderança

Vivemos em um contexto VUCA — vulnerável, incerto, complexo e ambíguo — que exige decisões rápidas.

E, no pós-pandemia, esse cenário ganhou outra camada de intensidade: o mundo BANI — brittle (frágil), anxious (ansioso), nonlinear (não linear) e incomprehensible (incompreensível).

 

Esse novo ambiente acelera as consequências emocionais, aumenta as reações impulsivas e torna imprescindível aprender a concatenar tudo sendo E — integrando velocidade e reflexão, coragem e prudência, inovação e preservação.

Esse é o desafio das lideranças contemporâneas: viver o E.

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E velocidade aumenta a propensão ao erro. Ao mesmo tempo, também amplia a capacidade de redirecionamento.

CEOs precisam integrar, cada vez mais, a visão de suas equipes. Velocidade não pode significar impulsividade. E gestão por comando-controle não funciona mais no mundo que habitamos.

Roberto Funari trouxe a importância de estarmos conectados e conectadas com os acontecimentos da sociedade — especialmente no campo das relações humanas.

Desde 2015 afirmo: o grande desafio do século XXI é desenvolver relações humanas de qualidade.

Aprofundo esse tema no artigo “Os desafios sistêmicos dos vieses de gênero”, publicado na GV Executivo (leia aqui).

Uma das chaves é o desenvolvimento pessoal pela expansão do SER.
Fiquei genuinamente feliz em ver uma liderança como Funari tratar esse ponto como estratégico — não como acessório.

Com a era da tecnologia, precisamos aprender cada vez mais rápido.
Aprendizado veloz é vantagem competitiva.

Recomendo o filme Estrelas Além do Tempo, que retrata essa visão na trajetória de uma mulher negra que transforma sua equipe ao ensiná-la a migrar de calculadoras humanas para programadoras (IMDB).

A fala de Werneck sobre velocidade encontra a de Funari sobre escuta ativa: escutar bem evita cair em ruídos que não dizem respeito ao negócio.
Essa dança entre polos é sutil e exige capacidade sistêmica para diferenciar — o tempo todo — ruído de sinal.

Como consultora, escuto diariamente sugestões sobre o que devo fazer para ampliar meu portfólio. Agradeço, sinto quando é ruído — e sigo velozmente apenas nos ventos que trazem sinais.

Escuta ativa pressupõe liderança humanizada. Sem isso, não há o que escutar — porque ninguém fala.

Falando em erros, Brega trouxe o alerta fundamental de que precisamos abandonar a armadilha do medo de errar.

E Werneck completou com algo que sempre fez sentido para mim:
na dúvida, siga sua intuição — ela não erra.

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Não porque seja mágica, mas porque é construída.

Minha experiência confirma: sempre me arrependi do que não fiz — não do que fiz. O que fiz, pude redirecionar.

Para mim, intuição é uma competência adquirida quando ampliamos repertório, desenvolvemos visão sistêmica e damos permissão ao sentir. Nada esotérico: é o sentir orientando o pensar.

Werneck trouxe ainda um ponto que me encanta: gerir é diferente de liderar.

Gerenciamos recursos, capital, conhecimento. Lideramos pessoas.

E, se pensarmos bem, gerenciar também implica dedicar tempo às pessoas — desbloquear pautas, orientar soluções.

Se você tem uma equipe, cuidar das pessoas é parte central da função.

Uma última reflexão para líderes que desejam evoluir

Muito mais foi compartilhado, mas o texto ficaria longo demais.

Termino com uma reflexão de Werneck: não confundam Ser e Estar.
Você não é CEO — você está CEO.

Em qualquer função de poder, estamos a serviço de uma organização.

É preciso guardar esse distanciamento entre quem somos e o cargo que ocupamos.

O autoconhecimento é essencial para viver essa dança — e para não cair na armadilha da vaidade. Ele nos permite proteger nossos valores pessoais e sair do jogo quando eles são feridos.

Se essa dança entre polos também te atravessa, talvez seja hora de explorá-la com mais consciência.

Aprender a sustentar as vantagens de cada comportamento é um processo que podemos desenvolver — e que evita erros desnecessários.

Me escreva se quiser mergulhar nessa jornada.
Site: Meinhard Connecting Voices

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Sobre Vera Regina Meinhard

Sou Vera Regina Meinhard, especialista em desenvolvimento humano e na dimensão humana da sustentabilidade nas organizações.

Sou movida pela paixão de conectar pessoas e ampliar a consciência sobre a integração dos valores femininos e masculinos como caminho para o sucesso sustentável.

Acredito que o ESG começa pela escuta ativa e cuidado genuíno com as pessoas e com o sistema organizacional. Levo essa visão a cada projeto que realizo.

Mestra em Sustentabilidade e Governança, com 25 anos de experiência executiva internacional no Groupe Renault France, fundei em 2013 a Meinhard Connecting Voices, onde desenvolvo soluções que unem propósito, estratégia e cultura.

Atuo como escritora, consultora e empreendedora, oferecendo:

Como realizadora de sonhos e mãe da Saskia, meu propósito é claro: fortalecer indivíduos e organizações para que prosperem com autenticidade, equilíbrio e impacto positivo no mundo.

Livro:

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