Uma contribuição de R$ 500 pode transformar uma trajetória
Sobre o SOMA, a cultura de doação e o compromisso de contribuir com um Brasil que desfruta dos talentos do seu povo.
Na primeira vez em que pensei em contribuir com o SOMA — o sistema de bolsas da FGV para estudantes em situação de vulnerabilidade econômica —, confesso que hesitei. Pensei: “Será que R$ 500 fazem realmente alguma diferença?”
Foi aí que fiz uma conta simples: se cada uma das 8.000 pessoas cadastradas na plataforma Alumni da FGV EAESP contribuísse com R$ 500, alcançaríamos R$ 4 milhões.
R$ 4 milhões não são um detalhe. São trajetórias reais. São estudantes talentosos e talentosas que ganham a oportunidade de permanecer em uma faculdade de excelência e construir o futuro com que sonham para si, para suas famílias e para o nosso país.
Ali percebi duas coisas fundamentais:
- Não existe contribuição pequena quando ela se conecta à de outras pessoas.
- Não há vergonha alguma em doar R$ 500. Vergonha seria deixar de agir por achar que só grandes fortunas têm valor.
“Eu não sabia que era possível doar R$ 500”
No dia 10 de agosto, durante a inauguração do Espaço SOMA no 7º andar do prédio da FGV EAESP na avenida nove de julho, o Bruno de Sena — ex-bolsista e hoje ex-aluno —, compartilhou algo que me marcou profundamente: ele ficou surpreso ao saber que era possível contribuir com esse valor.
Essa reação expõe uma ferida silenciosa: muitas pessoas da nossa rede deixam de doar simples e puramente por falta de informação ou por acreditarem que seu gesto individual não causará impacto.
Precisamos falar mais sobre doação. Sem tabus.
Rever nossos vieses inconscientes é Gestão de Cultura.
A palestrante Paula Jancsó Fabiani trouxe dados reveladores sobre o comportamento das pessoas doadoras: em média, doamos 1% da renda. Esse valor muda muito conforme a conexão com a organização.
Impacto do Vínculo Emocional
- Com pertencimento: A doação sobe para 1,7% da renda.
- Sem vínculo: A doação cai para 0,6% da renda.
- Fator chave: Clareza sobre o impacto gerado.
Como Mudar esse Cenário
- Transparência: Mostrar onde o dinheiro é gasto.
- Comunicação: Contar histórias reais de quem recebe ajuda.
- Comunidade: Criar grupos de apoio e engajamento contínuo.
No Brasil, ainda carregamos vieses inconscientes que nos levam a crer que expor nossas doações é exibicionismo. Não é. Falar abertamente sobre o que fazemos é a ferramenta mais poderosa que temos para engajar as pessoas, fazer gestão de cultura e ressignificar nossos vieses inconscientes.
Bolsa de estudo vai muito além da mensalidade
Escolhi direcionar minha doação para o IMPULSE, uma iniciativa do SOMA voltada a apoiar os custos de vida do estudante. Minha decisão veio de uma convicção sincera: garantir a matrícula não basta. É preciso criar condições concretas para que a aluna ou o aluno consiga estudar — cobrindo moradia, alimentação, transporte, materiais e tantas outras despesas do cotidiano.
A bolsa abre a porta da universidade; o apoio à permanência garante que o estudante consiga atravessá-la. Essa escolha toca o meu coração e se conecta diretamente com o meu propósito: a democratização do conhecimento e do autoconhecimento.
Encontrar o meu nome gravado na placa de doadores e doadoras do IMPULSE reforçou a alegria de saber que estou fazendo a minha parte e contribuindo ativamente para a sociedade que defendo. Cada nome ali representa uma história de generosidade, mas a parede ainda tem espaço para muitos outros. A pergunta que fica não é sobre quantos já estamos lá, mas sobre quantos de nós escolherão se somar a essa história a partir de hoje. O nosso potencial de crescimento é enorme.
Pertencer é participar: não é apenas ter passado por lá
A comunidade FGV nos presenteia com conexões extraordinárias, reputação e bagagem. Pertencer a um ecossistema assim não pode ser uma condição passiva. Pertencer de verdade é participar da construção do futuro que queremos ver.
E vale lembrar: doação não se limita a recursos financeiros. Doar é também oferecer tempo, mentoria, conexões e voz.
No meu caso, além da contribuição financeira, busco retribuir a uma instituição que marcou minha história liderando o Comitê Alumni Interescolas FGVnianas na Liderança, atuando como Embaixadora Alumni e como associada ativa no GVAngels.
Após 25 anos como executiva, vivo uma etapa de constante aprendizado no desenvolvimento humano e no enfrentamento ao machismo estrutural. Aprendi que contribuir não exige que façamos tudo; exige apenas que façamos o que está ao nosso alcance, com consistência e intenção. Minha conexão com o alumni da FGV me traz continuamente novas oportunidades de desenvolvimento.
Um convite para somar
Isolados, R$ 500 podem parecer pouco diante dos desafios sociais do Brasil. Mas R$ 500 somados, multiplicados e intencionais financiam sonhos, aliviam o peso de meses difíceis e dizem a um jovem ou uma jovem talentosa: “Você não está sozinha. Nós acreditamos na sua trajetória.”
Se você faz parte da comunidade Alumni da FGV, procure saber mais sobre o SOMA e o IMPULSE. Descubra qual forma de participação se encaixa no seu momento. Converse sobre isso. Conte sua motivação. Convide colegas de turma.
A transformação social não começa quando todas as pessoas doam fortunas; ela começa quando cada pessoa entende que pode fazer a sua parte.
Eu já fiz a minha escolha e decidi contribuir. E você, que futuro quer ajudar a construir com a gente?
Vera Regina Meinhard é especialista em gestão de cultura e desenvolvimento de liderança humana. Formada em Administração pela FGV EAESP e Mestra em Sustentabilidade, fundou a Meinhard Connecting Voices em 2013, após 25 anos no Groupe Renault. Seu propósito é conectar pessoas e promover a integração consciente dos atributos do feminino e do masculino como base para organizações com ambientes mais saudáveis e resultados sustentáveis. É conselheira do IBESG, membra da GVAngels e idealizadora do Comitê Alumni FGVnianas na Liderança. Vera acredita que avanços começam pela escuta presente e pela ação de valores. É mãe e valoriza a promoção de uma sociedade que integre a igualdade de gênero.